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sábado, 14 de abril de 2012

Processo - Process



          Esta semana foi bastante produtiva com discussão sobre processo artístico. O processo é bastante valorizado na arte contemporânea. Na verdade ele sempre foi importante, mas foi no século passado que passou a ter mais destaque que o próprio resultado final. Fazer correções, repintar e mudar de planos faz parte do processo de aprendizagem e de desenvolvimento. Não acontece por acaso e tampouco é uma exclusividade do mundo das artes.
           A editora de livros Tor e Jon Foster, um ilustrador estadounidense que figura também na versão brasileira da National Geographic produziram dois vídeos que sintetizam a discussão. No vídeo demo 1 podemos ver que mesmo com um único desenho a correção é constante, mas o mais legal do vídeo acontece a partir do nono minuto. Este vídeo exemplifica de forma clara o significado da palavra processo. Mas espere, o que parecia ruim pode piorar ainda mais! O vídeo demo 2 é ainda mais explícito, confira abaixo:


          O vídeo está acelerado, então podemos imaginar quanto tempo ele dedicou a uma ideia antes de ir para a próxima. Claro que isso são demostrações em um evento de editoras, não se trata de uma galeria ou o atelier do próprio artista. Mesmo o trabalho do artista sendo aprovado por um editor sempre existirão as correções e as mudanças de percurso. Normalmente este processo se dá desde o trabalho mais solto como no mais academico, como é o caso do próximo vídeo do artista David Gray: Um dia na vida do Artista. Apesar do rigor do desenho e da pintura a correção de cor sempre se faz necessária, não são mudanças radicais como a de Jon Foster, mas elas existem.


          Espero que estes vídeos chatos e didáticos ajudem no entendimento no significado da palavra processo.




domingo, 8 de abril de 2012

Tamanduneira


 Tamanduneira - 2500 x 2000 pixels - Tradigital - 2012

          Quando um simpático tamanduá foi mordido por uma torneira radioativa, ele sofreu fantásticas mutações que o transformaram no estupendo Tamanduneira! A proposta deste desenho foi criar uma mistura hibrida baseado em dois elementos, uma criatura e um objeto qualquer. No meu caso escolhi sem saber um tamanduá e uma torneira. Outros colegas escolheram coisas como vaso sanitário e polvo, guarda chuva e galinha e esse tipo de coisa totalmente aleatória. Cabia-nos criar uma fusão entre os dois, sem saber o que eu faria comecei tentando desenhar um tamanduá sem referência. Eu não sabia se seria uma torneira tamanduá ou um tamanduá torneira. Saiu isso daqui. Como o professor me pediu para enviar o desenho para ele escaneado aproveitei que já estava no computador e tratei de tirar a poeira da minha fiel Wacom Graphire 3. Abaixo um detalhe do bichinho.

domingo, 1 de abril de 2012

Paleta de Cores - Color Palette: Albrecht Dürer


Albrecth Dürer - Autorretrato - 48x67cm - Óleo sobre painel - 1500 - 
Alte Pinakothek, Munique - Alemanha  Fonte: ARC

          Quando comecei a me aventurar com pintura a óleo, uma das dúvidas recorrentes era: " Qual cor devo usar?" Quando aprendi a pintar em um curso de desenho que realizei aqui mesmo em Porto Alegre aprendi que poderia pintar utilizando apenas as três cores primárias mais o preto e o branco. Com essas cores consigo todas as cores que precisaria, mas seria essa toda a verdade? 
          Gostaria de citar que no curso em questão aprendi a desenhar e pintar com aquarela (que tive uma certa facilidade)  e com guache (frustração total que me manteve afastado das tintas opacas por mais de 10 anos até que me aventurasse com acrílico e posteriormente com óleo. Aqui a teimosia (ou será a persistência) foi determinante para aprender a pintar com uma mídia que eu gostava e não tinha condições de trabalhar. Outro fator determinante na demora de aprendizado foi que depois do curso tive o pior professor que pude encontrar: eu mesmo. Ser autodidata tem suas desvantagens. Passado vários anos conheci a internet que me levou a diversos lugares e a diversos livros e a diversos sites de fabricantes de tinta com matérias sérias sobre seus produtos desde a seleção de pigmentos até a escolha dos vernizes de acabamento. A informação sempre chegou fragmentada, então o que faltava em um site estava em outro e eventuais dúvidas seriam sanadas em livros que seriam comprados anos depois. É uma busca que não tem fim, mas que é muito prazerosa. Felizmente empresas idôneas como Winsor & Newton tem o máximo interesse em divulgar seus produtos e citam desde a montagem de uma paleta de cores básicas com as cores primárias (como aprendi no curso) de cada mídia até paletas mais elaboradas como por exemplo, uma paisagem ou um retrato.
          Descobri posteriormente que vários artistas utilizavam cores de acordo com gostos pessoais. Isso é fácil de notar por que pessoas diferentes enxergam cores de formas diferentes e tem gostos visuais diferentes. Ainda assim existem cores que são quase que obrigatórias na paleta dos artistas. Cada artista pode trabalhar desde apenas as cores primárias e possuir até algumas dezenas de cores que são usadas de acordo com sua necessidade, ou seja, apesar de um determinado artista ter dezenas de tubos de cores ele pode usar em sua paleta apenas as cinco cores básicas e eventualmente usar uma cor bastante particular e que não tem uma aparente utilidade no dia a dia de sua paleta, mas apenas para aquela situação específica .
          Alguns livros e sites apresentam as paletas genéricas de alguns artistas. Muitos são baseados em análises químicas das obras destes artistas, outras advém de anotações em cadernos dos próprios artistas e muitas, acredito que sua grande maioria advém da própria paleta do artista tal e qual foi deixada após seu falecimento.
          Para dar início a essa série super especial e importante de paleta de cores vou começar por ordem cronológica a partir do Renascimento. Claro que a história dos pigmentos remonta milhares de anos, mas vou focar meus estudos a partir deste período por sua relevância histórica no mundo das Artes Visuais Ocidental. Sempre vou procurar citar referências bibliográficas e inserir os links e os devidos créditos das imagens para quem quiser pesquisar nas fontes originais. Acredito de forma veemente na informação que estou aqui colocando e espero que de alguma forma ela possa ser útil a quem gostar de pintar tradicionalmente (ou digitalmente) como foi para mim.
         Vamos descobrir que muitos pigmentos utilizados ou não existem mais, ou foram substituídos por equivalentes modernos com melhor desempenho em aspectos como permanência e baixo nível de toxicidade, e que os fabricantes sempre que possível vão dar os nomes históricos dos pigmentos tóxicos, raros e caros aos pigmentos formulados de forma moderna, quer sintéticos ou não, com qualidade técnica superior quanto a permanência, cor e preocupação com saúde dos artistas, até por que hoje existem normas internacionais quanto a fabricação e cuidados ambientais e de saúde humana. Por exemplo, a  tinta óleo branca que compramos hoje na loja de materiais artísticos não tem o mesmo pigmento da tinta branca utilizada pelo Leonardo da Vinci, apesar de ter o mesmo óleo vegetal de linhaça.
          O formato do blog faz com que a ordem cronológica das postagens fique invertida, ou seja o Impressionismo virá antes do Maneirismo que virá antes do Renascimento, por este motivo vou utilizar o recurso de marcadores para facilitar posterior visualização. Os tópicos serão bem curtos e objetivos como o parágrafo abaixo, apenas este primeiro foi o mais longo, pois quis reportar minha intenção do porque destas postagens.
          Albrecth Düerer (1471-1528)  foi um pintor do Renascimento Alemão e sua paleta consistia basicamente das cores: Branco, Amarelo Ocre, Vermelhão, Vermelho Ocre, Crimson Lago, Siena Queimado, Ultramar Genuíno, Preto.  Fonte: Site Color Academy
          Para maiores informações sobre paleta de cores favor referenciar ao tópico que deu origem a isso tudo: Paleta de Cores




domingo, 11 de março de 2012

Estudos - Studies


Estudos -  A1* -Grafite - 2010

           Estudar de modelo vivo é sempre uma experiência desafiadora e recompensadora. Mais desafiadora ainda quando temos mais de um modelo presente, como foi o caso desta sessão de desenho do modelo vivo. Todo o cuidado que temos ao desenhar um modelo é multiplicado pelo número de modelos presentes. No caso dos modelos presentes, Gabriela e Cristiano, além da dificuldade de capturar as poses era necessário manter a proporção de cada corpo em relação ao outro, e ao espaço que eles ocupavam no ambiente. Eventualmente se tentava desenhar o casal a medida que o tempo permitia. No desenho acima nem sempre isso foi possível. A única pose em que o casal esta junto apresenta um grande número de problemas que o artista deve estar atento ao capturar. Perceba que os dois estão com os pés na mesma altura, ou seja, eles estão sobre um piso nivelado, qualquer descuido faria um deles parecer estar flutuando. Alie isso ao fato do modelo estar com o braço sobre o ombro da modelo e ela, por sua vez estar com a mão apoiada sobre seu antebraço. Apesar da simplificação do desenho consegue-se entender essas relações. Existe também uma relação espacial da distância entre os corpos e a posição das pernas. Sutilmente a perna direita do modelo está um pouco mais recuada em relação a sua esquerda. De outra forma eles poderiam parecer estar encostados um no outro, o que comprometeria o distanciamento da parte superior dos corpos.




         Na imagem acima percebe-se que o desenho da mulher começou de forma errada, com sua cabeça muito acima de onde deveria estar, ainda assim em ambos os casos, apesar da falta de precisão dos desenhos eles mantém uma relação de altura onde verificamos que há duas pessoas de alturas diferentes.


          Nestes dois desenhos do mesmo casal novamente precisamos traduzir a interação dos corpos, que nem sempre é fácil. Aliás, quem foi que disse que desenhar é fácil! :)


          Outra cena com interação e alguns desenhos soltos onde se vê uma seta que me referência a posição do quadril da modelo. Sempre que posicionamos nosso corpo sobre uma perna o ângulo do quadril e portanto o ponto de equilíbrio do corpo muda levemente. As vezes essa mudança é tão sutil que fica difícil capturar em um desenho. Podemos nos servir de recursos esquemáticos que nos ajudem a entender como funciona o corpo humano. Claro que não precisamos ter um conhecimento Leonardestíco sobre o corpo humano, mas o suficiente para poder representá-lo de forma convincente.



          Acima outra pose complexa com grande interatividade, principalmente entre as pernas. Foi difícil manter a relação das cabeças, tive que corrigir a cabeça e ombros da modelo feminina. Uma dica importante para não se perder é exatamente em manter as relações. Os olhos do modelo masculino alinham com o topo do cabelo da modelo, enquanto que o queixo do modelo alinha com os olhos da modelo.


          Novamente uma pose simples e bonita, onde um corpo se encosta no outro. Como esses desenhos não tem um grau de acabamento é difícil perceber em todos eles em que momento um encosta no outro. Se conseguir fazer isso sem muita sombra e detalhe já conseguiu alcançar seu objetivo. O máximo que se deu para dar uma ideia foi das roupas. A barba do modelo fica simplificada a um mero zigue-zague, um detalhe que não era necessário de inserir caso não desse tempo. Estes detalhes se colocam ao final da pose se, e somente se,  sobrar tempo, contudo é melhor dedicar esses poucos minutos para corrigir todas as relações de proporção e interação.

          Desenhar é as vezes frustrante por que não conseguimos fazer com que o braço e cérebro entrem num acordo, mas não se preocupem que um dia eles vão fazer as pazes.
          * Estes estudos foram realizados em folha A1 e posteriormente recortados para serem digitalizados.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Roxo - Cor Rara - Purple - Rare Color


Imperador - A4 - Aquarela - 2011

          Houve um tempo na história da humanidade em que o mundo não era tão colorido. Ele não era preto e branco como se costuma brincar em rodas de conversa fazendo alusão a idade dos amigos mais antigos, mas também não tinha a diversidade de cores que vemos ao zapear a tv ou quando vamos em alguma loja comprar roupas. O que se tinha era o que a natureza oferecia. Lã e pele de animais. Flores cozidas para tingimento, mas tais cores desbotavam em contato com o sol e devido as muitas lavagens. As cores vivas como azul, vermelho e roxo eram adquiridas através de complexos processos de extração e depois aplicadas aos tecidos disponíveis.
          Na pintura acima vemos o imperador romano com seu manto. A cor roxa era muito cara e era reservada apenas para a realeza, como o imperador do império romano. Filmes como Benhur, de onde tirei esta imagem e Quo Vadis mostram os imperadores carregando seus majestosos mantos roxos. Tal cor tinha o nome de Roxo Tyriano, por que vinha do porto de Tyre, uma província da antiga Fenícia, atualmente neste território se encontram o Líbano, a Síria, a Palestina e Israel. Mas como se obtinha tal cor?
            Essa cor vinha de um lesma marinha. Isso mesmo! Era necessário 12 mil lesminhas para se conseguir 1,4 gramas de pigmento puro. (GURNEY, Color and Light, 2010, pg. 90) . Felizmente hoje a situação é outra e graças aos avanços tecnológicos da química e dos meios de produção da revolução industrial. Não precisa ser rico para ter roupas coloridas, só para ter roupas de grife! :)