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domingo, 11 de março de 2012

Estudos - Studies


Estudos -  A1* -Grafite - 2010

           Estudar de modelo vivo é sempre uma experiência desafiadora e recompensadora. Mais desafiadora ainda quando temos mais de um modelo presente, como foi o caso desta sessão de desenho do modelo vivo. Todo o cuidado que temos ao desenhar um modelo é multiplicado pelo número de modelos presentes. No caso dos modelos presentes, Gabriela e Cristiano, além da dificuldade de capturar as poses era necessário manter a proporção de cada corpo em relação ao outro, e ao espaço que eles ocupavam no ambiente. Eventualmente se tentava desenhar o casal a medida que o tempo permitia. No desenho acima nem sempre isso foi possível. A única pose em que o casal esta junto apresenta um grande número de problemas que o artista deve estar atento ao capturar. Perceba que os dois estão com os pés na mesma altura, ou seja, eles estão sobre um piso nivelado, qualquer descuido faria um deles parecer estar flutuando. Alie isso ao fato do modelo estar com o braço sobre o ombro da modelo e ela, por sua vez estar com a mão apoiada sobre seu antebraço. Apesar da simplificação do desenho consegue-se entender essas relações. Existe também uma relação espacial da distância entre os corpos e a posição das pernas. Sutilmente a perna direita do modelo está um pouco mais recuada em relação a sua esquerda. De outra forma eles poderiam parecer estar encostados um no outro, o que comprometeria o distanciamento da parte superior dos corpos.




         Na imagem acima percebe-se que o desenho da mulher começou de forma errada, com sua cabeça muito acima de onde deveria estar, ainda assim em ambos os casos, apesar da falta de precisão dos desenhos eles mantém uma relação de altura onde verificamos que há duas pessoas de alturas diferentes.


          Nestes dois desenhos do mesmo casal novamente precisamos traduzir a interação dos corpos, que nem sempre é fácil. Aliás, quem foi que disse que desenhar é fácil! :)


          Outra cena com interação e alguns desenhos soltos onde se vê uma seta que me referência a posição do quadril da modelo. Sempre que posicionamos nosso corpo sobre uma perna o ângulo do quadril e portanto o ponto de equilíbrio do corpo muda levemente. As vezes essa mudança é tão sutil que fica difícil capturar em um desenho. Podemos nos servir de recursos esquemáticos que nos ajudem a entender como funciona o corpo humano. Claro que não precisamos ter um conhecimento Leonardestíco sobre o corpo humano, mas o suficiente para poder representá-lo de forma convincente.



          Acima outra pose complexa com grande interatividade, principalmente entre as pernas. Foi difícil manter a relação das cabeças, tive que corrigir a cabeça e ombros da modelo feminina. Uma dica importante para não se perder é exatamente em manter as relações. Os olhos do modelo masculino alinham com o topo do cabelo da modelo, enquanto que o queixo do modelo alinha com os olhos da modelo.


          Novamente uma pose simples e bonita, onde um corpo se encosta no outro. Como esses desenhos não tem um grau de acabamento é difícil perceber em todos eles em que momento um encosta no outro. Se conseguir fazer isso sem muita sombra e detalhe já conseguiu alcançar seu objetivo. O máximo que se deu para dar uma ideia foi das roupas. A barba do modelo fica simplificada a um mero zigue-zague, um detalhe que não era necessário de inserir caso não desse tempo. Estes detalhes se colocam ao final da pose se, e somente se,  sobrar tempo, contudo é melhor dedicar esses poucos minutos para corrigir todas as relações de proporção e interação.

          Desenhar é as vezes frustrante por que não conseguimos fazer com que o braço e cérebro entrem num acordo, mas não se preocupem que um dia eles vão fazer as pazes.
          * Estes estudos foram realizados em folha A1 e posteriormente recortados para serem digitalizados.