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sábado, 28 de agosto de 2010

Lírio Mario da Costa - Costinha



Costinha - Grafite - A4 - 2010

          O senhor Lírio Mário da Costa pra quem não sabe é o Costinha, meu humorista favorito.
          Fazia muito tempo que queria fazer algo com ele, como fiz com o Tião Macalé, contudo não achava imagens legais de referência. Achei o que procurava no U-Tubi.
          Infelizmente com uma qualidade péssima. As imagens encontradas no São Gúgol também não eram lá grande coisa.
          É complicado caricaturar o cara. Lembro ele por suas caretas, mas fazer um desenho de uma careta é bastante complicado. Captar a essência de uma careta não é fácil, então optei por uma outra abordagem. Fiz várias ilustrações e a que saiu menos pior foi essa.
          Sinto que tem que melhorar, mas como esse resultado foi-me satisfatório resolvi postar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quadrinhos - Comics

 
 
 

 

Quarto 666 - Grafite - A4 - 1997

          No longínquo ano de 1997 fiz meu primeiro teste de história em quadrinhos. Embora eu goste muito de histórias em quadrinhos é algo que não sei se teria saco para fazer. Dá um trabalho do cão. Gosto de vários estilos. Resolvi fazer estas quatro páginas para ver o que acontecia, se conseguia enganchar um quadrinho no outro e uma página a outra, conforme preconiza os ensinamentos de Will Eisner em seu livro de Arte Sequencial.
          Existiu uma quinta página, mas como ficou muito tosca ela foi sumariamente destruída.
         A história conta a saga de um policial em missão e como destruí a última página fica ao seu critério pensar o que pode ter acontecido no desfecho desta eletrizante narrativa. Como gosto muito de alguns artistas e nesta época um artista que me agradava era Greg Capullo, que em determinado momento desenhava Spawn, fiz algo utilizando alguns elementos que não sei se ele criou, mas que achei uma receita interessante, como no caso das veias que aparecem sobre os músculos do cara. Esses artistas de hq (americanos, nem todos claro) fazem os caras com 1% de gordura sempre, então dá pra ver músculo, veia e estriamento muscular a tal ponto de que se um cachorro ver o herói saboreando uma maçã vai sair correndo de tanto medo da visão aterradora dos músculos da face do elemento trabalhando.
          Como disse lá em cima, essas páginas foram feito em formato A4 com grafite 0,5 o que permite um maior nível de detalhamento com traços finos. Essas páginas são tão antigas que as páginas estão bastante amareladas, problema que resolvi no escaneamento ajustando o contraste da imagem.
          Vendo hoje essas páginas percebo que não tinha conhecimento suficiente para variar ângulos e perspectivas, o que tornaria a história bem mais agradável. Antigamente me agradava esse formato mais realista de trabalhar, hoje nem tanto.
          Acho que já citei aqui no Al Blog  o quanto é legal ver os trabalhos antigos depois de um tempo, eles contam a história de nossa evolução como artista.

domingo, 22 de agosto de 2010

Troll


Troll - Grafite - A4 - 2010

          Quando o filme Senhor dos Anéis foi lançado, foi uma grande revolução. Primeiramente pela aventura épica que ganhava vida com personagens reais em lugares idílicos. A outra revolução foi a tecnológica. Personagens e cenários gerados por computação gráfica atuavam de maneira bastante natural com personagens reais, e em certos momentos até mesmo os personagens reais eram substituídos por personagens gráficos sem que ao mínimo percebêssemos. Claro que ao olhar para um filme um quaquilhão de vezes, percebemos essas coisas.
          Um dos meus personagens favoritos foi o Troll, uma criatura sinistra que obedece aquele clichê cinematográfico e também históriaemquadrinhográfico: Quanto maior o cara, menor sua inteligência. No livro O Hobbit os trolls são criaturas com inteligência (mas não muito, claro).
          Fiz esse desenho e um Nazgul, que também gostei bastante, mas posto outra hora.
          Não fiz um retrato fiel do filme, fiz do meu jeito. Ficou bastante humanizado
          Dois anos mais tarde, quatro anos atrás, fui pintá-lo, mas havia um problema, adicionar um fundo. Como no filme citava "troll das cavernas" fiz ele em seu habitat natural. Percebam que modifiquei algumas coisas.


          Insiro aqui uma montagem que mostra o que eu tinha e o que foi criado depois e alguns detalhes.  Nesse caso, mesmo um fundo mais simplificado exige um conhecimento mínimo de perspectiva para que não fique com um aspecto esquisito. 
          Quando a pintura toma uma proporção maior, ao ser reduzida ela perde muitos detalhes, por isso é bom ver os trabalhos no original. Ao deixar essa pintura no tamanho original de 3500 pixles de largura por 3147 pixels de altura, ou 29,63cm de largura por 26,64cm de altura (quase um A3) e ver a imagem que postei que tem aproximadamente 551 x 495 pixles percebe-se o quanto se perde na compressão do arquivo.
          Tenho a imagem finalizada impressa em tamanho 26x23 e a imagem tem um brilho pelo papel e pelas cores utilizadas.




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Estudos com Nanquim - Black India Ink Studies



 Estudos com Nanquim - Nanquim - A5 - 2010

          Dando continuidade aos estudos realizados com Nanquim comecei a analisar o trabalho dum cara que lida com histórias em quadrinhos e trabalha basicamente com preto (e branco do papel). Eu estava afim de estudar o preto e branco, mas não dos caras clássicos e sim de algum contemporâneo, para variar um pouco. Conheço seu trabalho há alguns anos e recentemente comprei um livro com seus trabalhos. O nome dele é Mark Schultz e até o presente momento ele não tem site, para piorar ele tem um homônimo que lida com outro tipo de arte, a música. Não se confunda. O original é ilustrador e escritor. Além de desenhar bem pra caramba o cara escreve suas histórias. Um quadrinista autoral. Atualmente está escrevendo as histórias do Príncipe Valente. A mais importante saga dos quadrinhos mundial de todos os tempos. Para se ter uma ideia, Príncipe Valente é de 1937, um anos antes do Super-homem e dois antes do Cavaleiro das Trevas, se não me falha a memória. Foi inicialmente criado por Hal Foster que queria criar suas próprias histórias. Nesse momento um outro grande nome surge: Burne Hogarth, mas é assunto para outra postagem. Se for falar de Hal Foster vou precisar de outro blogue, porquê esse é outro dos bons duma excelente safra dos ilustradores do século XX.
          Voltando ao assunto do Nanquim. Mark Schultz trabalha com pincel, pincel seco e bico de pena. Como era feito tradicionalmente, porém com uma abordagem menos rebuscada, porém igualmente cativante. Para quem acreditava que não se ilustrava mais em preto e branco, o cara faz isso com maestria. E fica muito bonito num livro impresso. Imagine num livro eletrônico! Gostaria de dizer que o trabalho dele é original, mas não acredito que seja. Seu traço me lembra em muito a época de quadrinhos do recentemente finado mestre Frank Frazetta , ele tenta emular o mesmo estilo, com parafernália tecnológica retrô, felizmente seu traço tem singularidade. E suas histórias de Cadilacs e Dinossauros são muito interessantes.
          Eu já havia feito alguma coisa nesse sentido, porém fazia muitos anos que não usava Nanquim. É uma linda tinta e ao explorá-la com pincel chato, uma coisa que nunca havia feito, descubro novas possibilidades para uma velha receita. Existe também alguns estudos de aguada. Nanquim, como já devo ter citado no Al Blog ainda é muito utilizado pelo pessoal que faz histórias em quadrinhos. Dá um fino acabamento ao lápis, adicionando beleza ao trabalho impresso. Muitos tem feito arte final digital, mas se valoriza muito o traço feito de forma tradicional também.

sábado, 14 de agosto de 2010

Estudando os Mestres - Master Study


Estudo  - Acrílico - A5 - 2010

          Aprendemos por repetição.
          Copiando o que vemos e ouvimos.
          Assim que as crianças aprender a falar.
          Elas são corajosas.
          Imagina se alguém chega e te larga lá num país estranho sem tu nunca ter aprendido a falar uma única palavra. Um adulto entraria em pânico. E ninguém teria paciência de ensinar a ele o idioma como se ensina a uma criança.
          Artistas também aprendem por repetição. Praticando e praticando.
         A última postagem do Super Pato me fez lembrar uns 30 anos atrás, com uma revista em quadrinhos de patos em mãos, eu e meu irmão fazíamos cópias. Incansavelmente. Sim, meu irmão era um excelente desenhista. Lembro vagamente de analisar meu desenho com o da revista em quadrinhos  para ver se estava "perfeito". Acho que estava.
          Esses foram os primeiros contatos com cópia. Não se copia como uma máquina copiadora. Se copia em busca de um entendimento do que foi feito e como se chegou aquele resultado. Não apenas isso, mas também o que pode ser feito para corrigir eventuais erros e melhorar o seu trabalho.
          Antes de começar mais um dia de trabalho, Chopin se exercitava por uma hora ou duas tocando Well-Tempered Clavier de Bach, com o objetivo de absorver a essência do mestre. :)
          Artistas também podem e devem fazer o mesmo. Pegue obras clássicas, ou de seu agrado e faça um pequeno estudo colorido para ter um entendimento do que foi feito.
          Fiz este estudo baseado no trabalho dum Húngaro pra lá de phodão: Gyula Benczúr. Quer ver o trabalho do cara? Dê uma Googleada.
          Estudo feito com acrílico sobre papel. Fiz um rápido esboço com caneta e comecei a pintar com algumas cores na paleta.
          Sendo feito deste tamanho não é possível pensar em detalhes. A gente pensa mais na composição e na harmonia de cores; na solução encontrada pelo artista com uma composição agradável aos olhos.
          Alguns museus, mas só os chulés, como o Louvre, permitem que tu coloque teu cavalete na frente dum trabalho clássico e faça uma cópia. Imagino que tenha que ter alguma autorização para isso, naturalmente, mas é possível estudar avidamente grandes trabalhos e aprender com eles.
          Mas isso é só pra museuzinho. Museu sério como os nossos aqui no Brasil não permitem isso. (Bem, não sei ao certo, mas nunca vi ninguém aqui no Margs fazendo isso, não sei quanto aos outros estados. Se alguém souber me avise que atualizo este tópico com o devido crédito.)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Super Pato - Paperinik


Super Pato - Grafite - A5 - 2010

          Normalmente escrevo os títulos das minhas postagens em português e inglês, mas desta vez ao procurar o nome original do personagem descobri que ele é italiano.
Curiosamente na minha rápida pesquisa pela Wikipédia não me mostrou o nome em inglês, e uma rápida Googleada com o nome Superduck apresentou-me outro personagem.
Muito dos quadrinhos Disney que lemos no Brasil ou são feitos aqui mesmo ou são feitos na Europa. Não quer dizer que artistas naturalmente americanos não os desenhem. Keno Don Rosa é o melhor exemplo. Paradoxalmente a Disney estadunidense não produz e atualmente não está publicando quadrinhos. Ela não é uma empresa de quadrinhos.
          Disney é uma indústria de Entretenimento. :)
          O motivo de postar o Super Pato, alter ego do querido Pato Donald é que ele foi a causa do recente acidente envolvendo tinta Nanquim aqui em casa, já explicado há algumas postagens. Vi uma revista no supermercado e não resisti. Sempre gostei do Super Pato e quis apresentá-lo ao meu filho.
          A ideia era desenhar rapidamente e fazer uma arte final no estilo do desenho. Bem, o desenho está pronto. Só falta arte finalizar!

sábado, 7 de agosto de 2010

Modelo Vivo - Life Model

 



Modelo Vivo - Carvão - A5 - 2010

          Na última postagem falei de chiaroscuro. Disse que poderia ser feito com carvão. Carvão é uma mídia ideal para estudos e para desenhar esboços numa tela, por exemplo. Também é uma forma de arte em si. Existem excelentes trabalhos feito com ele. Um dos motivos de ser usado por artistas é por sua fácil correção. Basta passar a mão e já está (quase) tudo limpo. Não dá para usar borracha na tela. : )
Uma excelente artista que agora está no acervo do Margs é a Angelina Agostini. Sim, ela é filha daquele outro famoso membro da família Agostini: Ângelo.
          O carvão por suas características é muito sensível e demanda muito cuidado na conservação de trabalhos realizados com ele. Existem vernizes específicos para grafite e carvão. Existem alguns livros (não sei se em nosso idioma) com técnicas de como realizar belos trabalhos com essa mídia.

domingo, 1 de agosto de 2010

Chiaroscuro


Estudos - Grafite e Giz Branco - A4 - 2010

          Há alguns meses comprei um pacote de papel reciclado com o intuito de imprimir documentos para uso pessoal. Naturalmente, também está sendo usado como papel tonado para desenho. 
          Fiz alguns esboços baseados em fotos de jornal e dei um toque de luz com um lápis pastel branco. 
          Há alguns séculos essa técnica é usada como forma de estudo de luz e sombra, ou como se chamava antigamente: chiaroscuro.  Consiste no estudo do volume através do contraste do claro e do escuro, como o próprio nome sugere. O escuro pode ser feito com lápis, como fiz, com carvão, com aguada de Nanquim ou com Nanquim puro. A luz pode ser feita com giz branco como foi utilizado nesse estudo, ou se o papel for numa gramatura a partir de 200 gramas, com guache ou acrílico. Pode ser feito com  óleo também. Antigamente se fazia um estudo tonal imediatamente antes da pintura com o intuito de solucionar determinados problemas que poderiam acontecer no decorrer da pintura com cor. Também era feito em busca de um maior efeito de luminosidade na pintura final e de mais profundidade nas sombras. Lembrando que antigamente os pigmentos não tinham a pureza dos atuais e se pintava de uma forma diferente justamente por não se conseguir os efeitos da forma como eles acontecem hoje em dia.
          Muito se especula da forma como se pintava há quinhentos anos. As tintas mudaram e os artistas também. O que se faz hoje é adaptar o conhecimento remanescente dos tempos "doirados" às novas mídias, criando uma forma de arte muito mais bonita e natural.
          Esse tipo de estudo pode ser feito sobre papel de preço acessível como o jornal e o  craft ou sobre os mais nobres, como o Canson Mi Teintes em diversas cores, ideal para trabalhos com pastéis.