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sábado, 2 de julho de 2011

São Francisco - O Santo - Saint Francis - The Saint

Santo


- São francisco anda de pés descalços no solo rochoso. Ele é transfixado pela iluminação dourada radiante que surge do céu.
- Sua face e mãos recebem a luz, que se projeta sobre as dobras de seu hábito e causa sua figura a projetar uma sombra forte.

- Bellini planejou a cabeça e a face de Francisco com extraordinário detalhe.

- Estes detalhes são visiveis no desenho original, executado em linhas de tinta preta fluida no painel preparado, antes que as cores fossem aplicadas.

- Hoje, o desenho pode ser visto com tecnologia infravermelha, que penetra as camadas superiores de tinta para fornecer uma imagem em preto e branco do desenho logo abaixo.

- Linhas escuras do desenho indicam o perfil da face e pescoço, enquanto pinceladas sobrepostas sugerem o contorno externo do crânio.

- Durante a pintura, estas linhas guiaram a mão do artista enquanto ele preenchia as formas com cor.

- Além de planejar os contornos do desenho, Bellini considerou a queda da luz no rosto.

- Ele modelou sombras e superficies curvadas com linhas paralelas, curtas.

- Originalmente, a pintura de Bellini cobre completamente o desenho

- Com o passar dos anos, a tinha fica mais e mais transparente - um processo natural.

- Como resultado, partes do desenho oculto se ornam visíveis na superfície pintada.

- A execução meticulosa de Bellini revela a qualidade de um retrato vivo da face do Santo.

A seguir:  a Flora

domingo, 26 de junho de 2011

São Francisco - Céu - Saint Francis - Sky

Céu




- Bellini pintou o céu em primeiro lugar.

- Perto do horizonte o ar apresenta uma coloração azul pálida e cheio de nuvens.

- Em direção ao topo do painel, o azul da atmosfera se aprofunda, tornando-se celestial.

- Em grande ampliação, o céu azul de Bellini mostra sua qualidade e características de efeito espetacular.

- O aritsta atingiu as áreas de azul intenso e brilhantes usando um pigmento ultramarinho, misturado com diferentes proporções de azul e suspensas em óleo.

- A mídia óleo permitiu a ele aplicar tinta de uma maneira mais pincelada e livre.

- Ultramarinho é um pigmento altamente valioso, produzido por moagem de pedras de lápis lazúli.

- No tempo de Bellini, lápis lazúli foi produzido das minas do que atualmente conhecemos por Afeganistão, o nome do pigmento então era "oltremare" ou " além do mar".

- Em certas regiões do céu, sob grande ampliação, partículas individuais de pigmento ultramarinho pode ser visto.

- Uma luz do outro mundo surge do canto esquerdo superior do céu.

- De uma maneira nunca vista antes na pintura italiana, Bellini representa a luz enquanto ela se move em finos raios e poças de nuvens douradas.

- Trilhas em movimento de tinta amarela demonstra uma técnica de maior liberdade e expressividade.

- Muitas áreas da nuvem mostram um impasto audacioso - superfície texturizada e elevada de tinta óleo.

- Bellini criou os raios finos de luz com uma técnica conhecida como pincel seco.

- Ele aplicou uma camada fina, nivelada de tinta amarela diagonalmente além do fundo azul, permitindo o céu a aparecer entre as pinceladas.

- Estes véus de cor delicados produz o efeito de luz em movimento.

- Alguns raios iluminam as folhas de louro.

- A árvore é fortemente iluminada enquanto a luz a atravessa.

- A luz trilha pela profundeza lúcida do céu em direção a São Francisco. Ele a encontra de braços abertos.

- A luminosidade dá brilho ao seu traje e o imbuí com dignidade.

- A luz ativa a cena inteira, guiando o milagre da comunhão do Santo com Deus.

A seguir: o Santo

domingo, 19 de junho de 2011

São Francisco - Introdução - Saint Francis - Introduction

No Museu Frick, um extraordinário Museu de Nova Iorque está acontecendo uma bela mostra de uma tela de Giovani Bellini, artista italiano (cerca de 1430 - 1516), Esta tela, São Francisco no Deserto foi pintada entre 1475-1478, óleo sobre painel de madeira Choupo, 124,46 x 142,24.

A mostra vai de 22/05/2011 até 28/09/2011.

A imagem pode ser vista no recem lançado Art Project do Google. Basicamente traduzi o texto do site e estou colocando aqui para apreciação. Bem como os links do You Tube.

Em 2010 a pintura viajou ao Centro de Conservação de Pinturas Sherman Fairchild do Museu Metropolitan de arte para exames técnicos por um time de especialistas. Eles exploraram o processo de trabalho de Bellini e os meios pelos quais ele criou esta obra de arte.

Bellini pintou São Francisco no Deserto em um grande painel de madeira de Choupo.

1 - Uma base de gesso foi aplicada, seguida por uma fina camada de uma mistura de óleo com o pigmento branco de chumbo (o pigmento da época, altamente tóxico) foi espalhado a mão (pelo ajudante do cara, ele não é bobo)

2 - Um desenho cuidadoso foi feito no painel sobre esta base branca usando pincel e tinta preta.

3 - Muita improvisação e mudanças foram feitas no decorrer da execução, como pode ser visto no vídeo que fala sobre o Santo, por exemplo.

Bellini foi muito importante na transição da técnica de tempera de ovo para a técnica de tinta óleo como a mídia predominante em Veneza, Itália. Usando desde o brilho da cor viva até criar texturas que apenas o óleo pode proporcionar (na época, naturalmente. Hoje se consegue textura com tinta acrílica ou óleo a base d'água).


Introdução






- São Francisco no Deserto de Giovanni Bellini está atualmente a mostra no Salão Oval da Coleção Frick.

- A ocasião desta mostra é um recente exame técnico que ilumina o processo de trabalho do artista.

- Giovanni Bellini, também conhecido pelo seu nome latino, Ioannes Bellinus, nasceu no começo dos anos de 1430 em uma família de artistas. Ele aprendeu a pintar na oficina Veneziana de seu pai, Jacopo Bellini.

- Giovanni provavelmente completou São Francisco entre 1475 e 1478, quando ele estava nos seus quarenta anos e era um dos mais renomados pintores de Veneza.

- A apresentação digital acompanhando esta mostra oferece uma vaga idéia do mundo desta obra de arte de Bellini.

- O reflexograma infravermelho visto aqui, é uma imagem em preto e branco oculta nas camadas inferiores da pintura.

- Ela nos informa sobre o processo preparatório e as mudanças que ele fez durante a pintura.

- Fotomicrografia nos permite uma grande ampliação para ver a superfície da tinta.

- Fotografia detalhada fornece uma visão sem precedentes das variedade e da amplitute da composição.

A seguir: o Céu

domingo, 8 de maio de 2011

Paleta de Cores - Color Palette




Paleta para destros



Paleta para canhotos

          Quando artistas se encontram hoje em dia as perguntas que vem a tona são : 
         
          1 - Qual seu software favorito?
          2 - Quais seus pincéis (digitais) favoritos?
                 
          Antes da era digital os artistas se encontravam e as perguntas que vinham a tona eram:
          
          1 - Qual sua paleta de cores favorita?
          2 - Quais seus pincéis favoritos?

          Desde sempre os artistas tradicionais se beneficiam do espectro de cores disponíveis, existem  contudo, cores que são utilizadas quase que por unanimidade pela grande maioria dos artistas (quando falo artistas, falo artistas, ilustradores e designers, independente de utilizarem mídia digital ou tradicional, pois os princípios de cores se aplicam a todos). Alguns artistas utilizam mais cores em sua paleta e outros utilizam menos cores. Ao utilizar menos cores, temos, naturalmente, menos problemas. Ao utilizar mais cores, temos um número maior de problemas em mãos. Independente do número de cores disponíveis, raramente um artista utilizará um cor direta do tubo, ele sempre vai misturá-la afim de obter a cor desejada.  Vale lembrar que o conhecimento humano sobre cores remonta estupendos 30 mil anos.  Eugene Delacroix  começou sua carreira com uma paleta limitada, ou digamos "clássica"e adicionou até 40 cores a sua lista de cores  geralmente utilizadas (calma que ele não colocava tudo na paleta, eventualmente adicionava uma ou outra destas cores para determinadas situações onde elas eram necessárias). Normalmente quando aprendemos a trabalhar com cor começamos com as três cores primárias mais o preto e o branco. Para uma pessoa que está começando a pintar seria recomendado utilizar as cores primárias. Alguns artistas tinham tal domínio da cor que apenas essas cores formavam sua paleta para todos os seus trabalhos:

          Amarelo Cádmio
          Vermelho Cádmio
          Azul Ultramar
          
          E para ajustarmos a cor utilizamos o preto e o branco:

          Branco Titânio
          Preto
         Acima mostro como ficaria a disposição de cores para quem é destro e para quem é canhoto como eu. Não se preocupem pois tenho dois amarelos na paleta, isto por que o trabalho que estou produzindo demanda uma outra forma de pesquisa. Essa paleta apresenta algumas cores que normalmente utilizo, nesta postagem verão que tenho ainda uma outra cor. Dependendo do resultado desejado, fazemos como Delacroix.
         Os copinhos acima são utilizados para pintura a óleo, normalmente uma delas deveria conter óleo de linhaça e a outra deveria conter terebintina. No meu caso não gosto muito de utilizar óleo de linhaça, mas preciso da terebintina para diluir a tinta, então uso um deles para misturar a tinta e outro para limpar o pincel. Aqui ainda não utiliza a Terebintina e sim uma opção que tem um cheiro menos forte com um poder de diluição também menor. No caso de aquarela, guache ou tinta acrílica, é preferível ter dois potes de água pelo mesmo motivo. Um para limpar seu pincel e outro para diluir a tinta. Evite que a parte de água (ou terebintina) fique suja, isso acaba influenciando no resultado final da mistura de duas cores.
          Ao espremer a tinta do tubo seja sensato, não seja tão sovina (como eu :)) a ponto de espremer uma quantidade minúscula. O branco pode ter o dobro de quantidade das outras cores visto que será bastante utilizado. Essa quantidade que espremi é pouco comparado ao tamanho da tela que estou fazendo, isso por que não estou pintando tudo "alla prima", estou pintando por etapas. Nesse caso o melhor é espremer a quantidade necessária para aquela parte que está sendo pintada. Hoje normalmente os artistas utilizam uma quantidade pequena de tinta mesmo. Esses dias li em algum blog que John Singer Sargent espremia bolhas de tinta de 50 dólares enquanto que artistas da atualidade espremem bolhas de 10 centavos. Ou seja ele botava a tinta que iria utilizar naquele dia, visto que era um artista profissional e passava os dias pintando.
          Como visto nas fotos das paletas, a tinta é colocada no alto e eventualmente na lateral (seguindo o contorno da paleta) enquanto que a área central é reservada para as misturas. Percebam que as misturas amarelas estão abaixo da cor amarela, as misturas vermelhas estão abaixo da cor vermelha e as misturas de azuis estão abaixo da cor azul (tem um azul perdido na extremidade oposta de onde a cor azul está espremida, sem problemas e paranoias quanto as regras acima citadas). 
          
          ATENÇÃO: Marcas de tintas diferentes utilizam alguns nomes comerciais diferentes e portanto a cor que tu estarás comprando pode não ser aquela cor que tinha em mente. Em caso de dúvida compare as cores de outros fabricantes (não precisa abrir o tubo para olhar, pode comparar pela cor do rótulo mesmo). Eu mesmo comprei um vermelho que é marrom e nunca utilizei esta tinta. Dinheiro jogado no lixo (claro que podemos adicionar um amarelo ou branco ou outro vermelho para tentar melhorar a cor, mas pode levar tempo até conseguir o tom que queria comprar originalmente).

          Em futuras postagens citarei algumas paletas de artistas famosos (ou não) para tentar ajudá-los (ou confundi-los ainda mais) para que possam obter os mais diversos e melhores resultados em suas pinturas.
           Para começar posto uma paleta que obtive de um livro que li que se chama Alla Prima de Al Gury (lembrando que não precisam adquirir todas, pode começar com as cores que sugeri acima, sempre que possível tentarei traduzir o nome da cor para a nossa realidade e mercado, ainda assim manterei os nomes originais para quem quiser adquirir as tintas importadas):

          Paleta Clássica Recomendada:

          Branco Titânio                               Titanium White
          Amarelo Cádmio Claro                  Cadmium Yellow Light
          Amarelo Ocre                                Yellow Ochre
          Vermelho Cádmio Médio               Cadmium Red Medium
          Rosa Permanente                            Permanent Rose
          Azul Ultramar                                 Ultramarine Blue
          Sombra Natural                              Raw Umber
          Terra Queimada                              Burnt Umber
          Terra de Sienna Queimada             Burnt Sienna           
          Vermelho Veneza                           Venetian Red
          Vermelho Indiano                           Indian Red
            Preto                                            Ivory Black

            Cores adicionais para expandir a paleta clássica:

            Laranja Cádmio                           Orange Cadmium
            Amarelo Limão                            Lemon Yellow
            Vermelho Cádmio Escuro            Cadmium Red Deep
            Violeta Dioxazina                         Dioxazine Purple
            Verde Cádmio                             Cadmium Green
            Óxido de Cromo Verde               Chromium Oxide Green
            Verde Veridiano                          Viridian Green
            Azul da Prússia                            Prussian Blue
            Terra Verde                                 Green Earth
             Sombra Esverdeada                        Greenish Umber
             Óxido Vermelho                          Red Oxide
             Óxido Vermelho Transparente     Transparent Red Oxide
             Amarelo Marte                            Mars Yellow
             Violeta Marte                              Mars Violet
            Terra de Sienna Natural                Raw Sienna

domingo, 17 de abril de 2011

Sobre Retratos - About Portraits


Estudo Paulo Zulu - A5 - Aquarela - 2006

          Inicio este tema conforme havia prometido ao final desta postagem.  Em um tempo que que não existia a fotografia, o registro das grandes personalidades históricas se dava através das mãos e habilidades dos artistas. Ainda no século XX muitos presidentes americanos foram retratados por grandes artistas. Norman Rockwell pintou alguns presidentes antes deles se tornarem presidentes para capas da revista The Saturday Evening Post:  (General) Dwight Eisenhower, capa de 11 de Outubro de 1952; Richard Nixon de 5 de Novembro de 1960; (Senador) John Kennedy, de 29 de Outubro de 1960.
          Enquanto lia a matéria do link da Restauração do Velásquez acompanhei uma matéria no blog de David Apatoff (apenas em inglês, infelizmente), chamada Os Últimos Pintores da Corte, onde ele cita: " Hoje é difícil imaginar um líder em qualquer lugar que recorra as artes para estabelecer sua imagem. O triunfo do vídeo e a  receptividade alterada do público são, obviamente, razões importantes para esta transformação..."
          Claro que a agenda de um presidente em nosso mundo globalizado não permite longas sessões para um " pintor de corte". Associe a isso fatores como facilidade de captura de imagem e reprodução de uma fotografia. Fotografar uma pintura é algo bastante complicado, existe todo um ritual de preparação: Reza a lenda a necessidade de dançarinas virgens adulando a pintura para que o fotógrafo consiga capturar os efeitos da veladuras e das misturas físicas e químicas dos pigmentos.  Devido a esses e outras complicações técnicas opta-se pelo uso da fotografia.
          Curiosamente Apatoff fala do sofrível retrato do Barack Obama, aquele feito pelo artista Shepard Fairey,  sendo, em suas contundentes palavras: "mostrado aqui (na foto da matéria) sendo aplaudido por focas treinadas". Uma novela de roubo de direitos autorais do fotógrafo freelancer Mannie Garcia que nem quero me aprofundar.  Se compararmos o retrato do então Senador Obama com o retrato do General Dwight Eisenhower, vemos que carece das qualidades técnicas e da energia que o modelo transmite. Apesar do Obama vislumbrar o futuro naquele olhar grego clássico, as cores o fazem parecer, ao menos para  meu paladar artístico, doente.
          A gota d'água foi quando recebi um email do meu irmão sobre uma matéria paga no jornal The New York Times pelo artista brasileiro radicado nos Estates e podre de rico, Romero Britto. Gosto de alguma coisa dele e acho que seu trabalho apresenta algumas qualidades, porém não serve, no meu ponto de vista, para fazer retratos. Para o meu paladar artístico limitado, retrógrado, conservador, teimoso e sisudo,  acho que a Dilma ficou horrorosamente horrorosa.
          Nem tudo está perdido. No mundo ainda existem artistas excelentes que ganham sua vida pintando e fazendo retratos: Jeremy Lipking, David Larned,  Scott Burdick, Marvin Mattelson, Morgan Weistling e  John Howard Sanden para citar uns poucos. Retratos não como se fazia antigamente: Melhores!